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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sócrates para presidente do Timão

Especial da GazetaEsportiva.net

Montagem sobre foto de Divulgação

Por Paulo Amaral

Foto Divulgação Topper
Sócrates, durante evento que marcou o lançamento de uma série de produtos com seu nome

Ícone da Democracia Corintiana, movimento que marcou época no futebol brasileiro no início dos anos 80, e considerado um dos maiores talentos da seleção comandada por Telê Santana, que encantou o mundo nas Copas de 1982 e 1986, Sócrates sempre foi diferenciado, com ou sem a bola nos pés.

Formado em medicina, o doutor Sócrates encantava tanto dentro de campo, com sua postura elegante, visão de jogo e seus famosos e inesquecíveis toques de calcanhar, quanto fora dele, por suas declarações marcantes, sempre embasadas e com fundo político.

Comentarista esportivo, Sócrates agora marca presença no mundo empresarial, cedendo seu nome a uma linha de produtos esportivos da Topper, empresa que o patrocinava desde a época de jogador e que traz aos dias atuais uma réplica da chuteira usada por ele no Mundial da Espanha, há 26 anos, além de outros artigos assinados pelo craque, como camisetas, tênis, bolas e mochilas.

Tricampeão paulista pelo Corinthians em 1979, 1982 e 1983, o doutor também passou pela desagradável experiência de disputar a Segunda Divisão Nacional com a camisa alvinegra, à época denominada Taça de Prata. “Era uma Segunda Divisão falsa”, sorriu, lembrando que Timão disputou a elite no mesmo ano, graças ao regulamento da competição, sucumbindo apenas nas semifinais da ‘Série A’, a Taça de Ouro, diante do Grêmio.

Em entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net, Sócrates foi abordado sobre o atual momento de duas de suas paixões: o Corinthians e a seleção brasileira. E não escondeu seu descontentamento com o modo como a camisa verde e amarela vem sendo tratada pelos ‘pupilos’ do técnico Dunga. “Não é de hoje que estamos agredindo nossa cultura futebolística. Nosso futebol não é esse”.

Apesar das críticas, Sócrates surpreendeu ao não criticar diretamente o comandante da seleção nacional e ao se recusar a apontar o treinador ‘ideal’ para a equipe. O Doutor espera, no entanto, que a seleção se espelhe na Espanha, campeã da Eurocopa, para voltar a encantar o mundo com a bola nos pés.

Ao falar sobre a atual saga alvinegra na Segundona do Brasileiro, Sócrates mostrou confiança total no retorno da equipe para a elite, mas fez um alerta: “Não vai ser tão fácil quanto a Fiel está pensando. O time ainda não voltou”.

O lado político do Doutor também ficou evidente durante a conversa quando Sócrates foi abordado sobre a vitória de Roberto Dinamite nas eleições presidenciais do Vasco da Gama, a primeira de um ex-jogador de futebol na história do país. "Pode ser importante para contaminar outras áreas do esporte no país", opinou Sócrates, para, na seqüência, admitir um sonho bem recente, impulsionado justamente pela vitória de Dinamite: assumir um cargo diretitvo no Timão. "Por que não?", questionou.

Foto Acervo / Gazeta Press

Com a camisa do Corinthians, durante partida contra o Vasco, válida pelo Campeonato Brasileiro de 1983

Com a seleção brasileira, em 1979, antes de amistoso contra o Ajax, da Holanda, no Morumbi

Gazeta Esportiva.Net – Você foi um dos grandes nomes da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986. Como analisa o atual momento da equipe brasileira, quinta colocada nas Eliminatórias?

Sócrates – Não é de hoje que estamos agredindo a nossa cultura futebolística. Nosso futebol não é esse. Estamos trilhando um caminho que não é nosso e seguindo culturas mais pragmáticas, como a inglesa e a alemã, mas o futebol brasileiro é criatividade, beleza, espetáculo.

GE.Net – E qual a saída para a seleção voltar a jogar um futebol bonito?

Sócrates – Espero que a vitória da Espanha na Eurocopa possa mudar a tendência mundial e que o futebol brasileiro possa ter novamente uma filosofia voltada para o espetáculo.

GE.Net – A demissão do Dunga do comando da seleção é o 1º passo para recuperar essa filosofia? Quem é o técnico ideal para você?

Sócrates – O futebol brasileiro tem que reencontrar o caminho que nunca deveria ter perdido, mas o nome do técnico que comanda a seleção é o de menos. O que conta é a idéia, a filosofia. Não dá para imaginar o futebol brasileiro triste. Seria como tirar o Carnaval do povo. Temos que deixar fluir nossa cultura, pois nosso futebol é alegre.

GE.Net – Dizem que não há mais jogadores talentosos no Brasil e que foi por isso que a forma de atuar mudou. Você concorda?

Sócrates – Não. É claro que não dá para comparar a qualidade técnica de hoje em dia com a de 20, 30 ou 40 anos atrás, mas o talento existe. O problema é que os jogadores estão amarrados, pois, quando a filosofia restringe a sua liberdade, você fica acanhado. Mesmo assim, há muitos jogadores brasileiros em destaque atualmente.

GE.Net – Você teme pela campanha nas Eliminatórias? Acha que o Brasil corre o risco de ficar fora da Copa de 2010?

Sócrates – Não. De jeito nenhum. Independentemente dos problemas que a seleção está enfrentando, ela ainda não tem adversários. A equipe terá que fazer muito esforço para não ficar ao menos entre os cinco primeiros. Se fosse como na minha época, com divisão de grupos, poderia até ser...

GE.Net – Falando agora de Corinthians: como você vê a atual situação do Timão?

Sócrates – Aquele momento mais difícil, o momento da queda, passou. A equipe fez boa campanha na Copa do Brasil e também está bem na Série B. A tendência é de crescimento.

GE.Net – Tem muita gente dizendo que o time já garantiu a vaga. Você, que já teve a experiência de jogar a Segundona, concorda?

Sócrates – Eu joguei uma Segundona falsa (risos), pois, na época da Taça de Prata, os melhores subiam para a elite no mesmo ano. Eu não acho que o Corinthians já voltou. Ele tem uma vantagem grande, principalmente porque no começo do campeonato houve um respeito muito grande pelo Corinthians, mas agora começou a complicar. Acho que vai ser mais suado do que o corintiano espera.

GE.Net – Então você acredita que a volta para a Série A corre riscos neste ano?

Sócrates – Risco sempre há, mas no Corinthians há pessoas com competência para entender as dificuldades e superá-las. As condições para o time subir de novo para a Primeira Divisão são bastante favoráveis e acho que é natural que isso ocorra.

GE.Net – Você sempre foi uma pessoa muito ligada aos movimentos políticos, tanto que é um dos responsáveis pela Democracia Corintiana. Vê com bons olhos a vitória do Roberto Dinamite para presidente do Vasco, seguindo o exemplo do Michel Platini (francês, presidente da Uefa) e do Rumenigge (alemão, presidente do Bayern de Munique)?

Sócrates - Acho que pode ser importante para contaminar outras áreas do esporte no Brasil. Será uma mudança de filosofia interessante em termos de gestão, pois, para assumir cargos de gerenciamento no esporte, a pessoa tem que ter experiência dentro dele. O Platini e o Rumenigge foram escolhas naturais, pois estão levando para fora do campo a experiência que acumularam quando jogaram.

GE.Net - Você nunca pensou em exercer algum cargo diretivo no futebol?

Sócrates - Nâo era uma idéia muito forte não, até porque aqui no Brasil não se dava muita importância a isso, mas, no futuro, pode ser. Acho interessante, pois há eleição direta e eu participei disso. Penso em me aproximar e, quem sabe, ficar mais por dentro da situação do Coringão. Por que não?

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Especial da Gazeta Esportiva - Ari e Pelé - 1958

Especial da GazetaEsportiva.net

Montagem sobre foto de  Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Paulo Amaral

Fotos Fernando Pilatos / Gazeta Press
Ari Clemente em dois momentos: acima, rindo em 2008; abaixo, com a bola nos pés, em partida do Timão contra o Comercial, no Paulistão de 1958

Jeito simples, fala mansa e muita tranqüilidade. Essas são características atuais de um ex-lateral-esquerdo que carrega consigo há 50 anos o estigma de ser o homem que quase deixou Pelé de fora da Copa do Mundo da Suécia, a primeira vencida pelo futebol brasileiro e a primeira do então “menino-prodígio”, Edson Arantes do Nascimento.

No ano do cinqüentenário da primeira conquista canarinho, Ari Clemente recebeu a reportagem da Gazeta Esportiva.Net em sua residência, na zona norte da capital paulista. Cercado pela esposa, Elenita, com quem divide alegrias e tristezas há 44 anos, pelos três filhos e pelos seis netos - o mais novo deles já devidamente fardado com a camisa do Timão -, o ex-lateral-esquerdo do Corinthians reativou a memória para falar da fatídica jogada em que se envolveu com o “Rei”.

O incidente ocorreu no dia 21 de maio de 1958, uma quarta-feira chuvosa e fria, no estádio do Pacaembu. Dias antes de viajar para a Europa, a seleção brasileira encarou um amistoso contra o Corinthians. Venceu por 5 a 0, mas, por pouco, não perdeu aquele que viria a se transformar no grande nome da conquista na Suécia.

“Tem muita gente que ouviu dizer, mas não viu o lance. Não foi maldade. Até hoje estou com minha consciência tranqüila. Conversei com o Pelé e ele sabe que não foi por mal, tanto que, no lance, eu saí jogando e a bola só parou quando voltou ao ataque do Santos”, lembrou Ari. “O campo estava deslizando. O Pepe bateu a falta com força e o Pelé quis pegar de primeira. Fui cobrir e coloquei a perna, aí o Pelé chutou a trava da minha chuteira. Eu nem vi”, completou, com riqueza de detalhes.

Clemente não carregou para fora dos campos qualquer tipo de ligação com Pelé, mas garante que não foi o lance do amistoso que impediu uma aproximação maior com o Atleta do Século. “O Pelé é um grande empresário e, às vezes, não tem tempo nem para a imprensa”, argumentou, admitindo, na seqüência, que respirou aliviado ao ver que o garoto foi confirmado na delegação brasileira que foi à Suécia, mesmo contundido.

“A seleção que saiu daqui para ser titular foi mudada inteirinha, principalmente o ataque. Levaram 24 jogadores para a Copa, incluindo o Pelé, machucado. Sei que ele não participou dos primeiros jogos, mas, graças a Deus conseguiram levá-lo e deu tudo certo.”

O ex-jogador assegurou também que não sofreu qualquer prejuízo por conta da jogada e que só guarda boas recordações dos tempos em que habitava o mundo da bola. “O futebol me abriu as portas e me deu tudo o que tenho. Não é muito, mas dá para viver com minha família, que é o mais importante para mim”.

Nesta entrevista exclusiva, o ex-lateral-esquerdo conta mais detalhes de sua curta carreira (durou apenas 13 anos), joga por terra a lenda sobre uma possível “praga” de Pelé para que o Corinthians não ganhasse títulos enquanto ele estivesse na ativa, fala sobre o comportamento do “Rei” em campo, do momento atual do Timão e, claro, de sua atual paixão: a família.

Gazeta Esportiva.Net – Quais as lembranças que o senhor guarda da Copa do Mundo de 1958?
Ari Clemente - Só guardo alegrias. Eu estava em início de carreira. A gente vibrou demais, pois já tinha perdido a Copa de 50 (para o Uruguai, no Maracanã). O pessoal fala da seleção que jogou a Copa de 1982, mas a de 58 foi uma maravilha.

GE.Net – Dá para guardar alegrias mesmo sendo taxado como o homem que quase tirou o menino Pelé da Copa?
Ari Clemente - Tem muita gente que ouviu dizer, mas não viu o lance. Não foi maldade. Até hoje estou com minha consciência tranqüila. Conversei com o Pelé e ele sabe que não foi por mal, tanto que, no lance, eu saí jogando e a bola só parou quando voltou ao ataque do Santos.

Fotos Fernando Pilatos / Gazeta Press
O lateral do Timão passou pelos anos de jejum
Só conseguiu um título em 1966 pelo Bangu
O mais novo de seus seis netos já é corintiano
Com a família no bairro do Imirim, em São Paulo

GE.Net – Mas como foi o lance? O que aconteceu realmente?
Ari Clemente - O campo estava deslizando por causa da chuva. O Pepe bateu a falta com força e o Pelé quis atravessar para bater de primeira. Fui cobrir o meio e coloquei a perna, aí o Pelé chutou a trava da minha chuteira. Eu nem vi o que tinha acontecido.

GE.Net – Ser lembrado durante 50 anos por causa dessa jogada específica é algo que o magoa?
Ari Clemente – Não, pois isso sempre ficou mais por conta da imprensa. Eu resolvi o assunto com o Pelé e cada um continuou com sua carreira. De vez em quando, alguém mais jovem lembra e fala que “o Ari quebrou o Pelé”, mas nunca tive qualquer problema por conta disso não.

GE.Net – Mas chegou a temer pela não participação do Pelé na Copa? Acompanhou mais atentamente a seleção por causa disso?
Ari Clemente - A seleção que saiu daqui para ser titular foi mudada inteirinha, principalmente o ataque. Levaram 24 jogadores, incluindo o Pelé, machucado. Sei que ele não participou dos primeiros jogos, mas, graças a Deus conseguiram levá-lo e deu tudo certo.

GE.Net – Como é seu relacionamento atual com o “Rei”?
Ari Clemente - O Pelé é empresário, não tem tempo nem para a imprensa direito. Tive oportunidade de falar com ele na época em que jogava, depois não mais, até porque nunca gostei muito de ir para Santos.

GE.Net – Reza a lenda que, depois de ser atingido, o Pelé teria falado para o senhor que o Corinthians jamais ganharia um título enquanto ele jogasse pelo Santos, algo que realmente se concretizou. O que há de verdade nisso?
Ari Clemente – Só o tabu, pois eu nunca ganhei do Pelé enquanto joguei. Essa história não passa de lenda mesmo. O Pelé nunca falou isso para mim ou para ninguém. Havia respeito entre os jogadores.

GE.Net – Mas ele era do tipo provocador dentro de campo, não era? Dava cutucões, pancadinhas sem bola...
Ari Clemente - Ele não era bobo, claro, mas nunca tivemos problemas. Ele era caçado e não era bobo. Se alguém ia pra quebrar, ele ficava esperto, mas o Pelé procurava jogar futebol. Apenas isso.

GE.Net – E a história de que ele quase foi contratado para ser seu companheiro de Corinthians? O que o senhor lembra sobre esse assunto?
Ari Clemente – Isso, se aconteceu, ficou mais entre os dirigentes, nos bastidores. Mas é claro que eu queria que o Pelé tivesse jogado conosco. Com ele ao lado, o bicho estaria sempre garantido (risos).

GE.Net – Pelé à parte, o senhor também teve uma experiência na seleção, em um amistoso contra o Paraguai. Por que não teve seqüência?
Ari Clemente - Joguei apenas uma partida, em 1961, na comemoração do terceiro aniversário da Copa de 1958. Era um combinado Palmeiras e Flamengo. Eu era do Corinthians, mas fui convocado, pois o Geraldo Scotto, do Palmeiras, se machucou. Tinha muita gente boa na época e, como estourei a virilha, acabei não voltando mais.

GE.Net – Depois de sair do Corinthians, como foi o andamento de sua carreira?
Ari Clemente –
Fui jogar no Bangu e conquistamos o Carioca de 1966, em um Maracanã lotado. Encerrei minha carreira no Saad, de São Caetano, cinco anos mais tarde.

GE.Net – E o que fez depois de pendurar as chuteiras: desistiu do futebol?
Ari Clemente – Trago algumas amizades, como o Aladim, que sempre me visita quando está em São Paulo, mas sou uma pessoa mais caseira e não gosto de ir ao campo ou ao Parque São Jorge. Virei bancário. Trabalhei 22 anos no banco Safra, primeiro como recepcionista e depois como segurança do senhor Ezequiel Nasser. Agora estou aposentado, curtindo minha família, cuidando da minha esposa, que sempre segurou as pontas. Tenho que dar esse presente para ela até o fim da minha vida e vou dar.

GE.Net – Para finalizar: como o senhor analisa o atual time do Corinthians? Dá para ganhar a Copa do Brasil?
Ari Clemente – Sem dúvida. Com esse time nós estamos vibrando. Esse é o Corinthians de antigamente. Está maravilhoso. Pode até perder às vezes, mas perde correndo, lutando. Estou adorando mesmo e acredito que, quarta-feira, vamos conquistar mais um título.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Peninha

Mano Menezes ironiza arbitragem: 'Gaciba teve peninha do Botafogo'

Treinador diz que juiz não foi desonesto, mas momento do adversário amoleceu coração do árbitro, que usou dois critérios

Leandro Canônico Do GLOBOESPORTE.COM, no Rio de Janeiro

O técnico Mano Menezes usou a ironia para avaliar a atuação do árbitro Leonardo Gaciba (Fifa-RS) na derrota do Corinthians para o Botafogo por 2 a 1, de virada, nesta terça-feira, no Engenhão, pelas semifinais da Copa do Brasil. Para o treinador, o juiz teve pena do momento vivido pelos cariocas (assista ao vídeo ao lado).

- Ele usou dois critérios no jogo. Não por má intenção ou falta de honestidade. Foi por pressão mesmo. Às vezes no futebol brasileiro, quando um time não ganha há muito tempo, começa a dar peninha, amolece o coração das pessoas. Pensam que o sujeito tem de ganhar. Mas tem de ganhar com mérito. O outro lado também merece respeito - dispara o comandante.

No mesmo tom, Mano Menezes lamentou os cartões amarelos recebidos por André Santos, Carlos Alberto, Fabinho e Lulinha. Todos estavam pendurados e não atuarão na quarta-feira, no Morumbi, no jogo que decide quem irá para a final contra Sport ou Vasco.

- Em um jogo assim, é preciso ser criterioso. Coincidentemente, todos os pendurados levaram cartão. Assim, você transforma uma equipe muito forte e tira força da outra. Espero que não aconteça no segundo jogo para a gente não achar o que não deve no futebol - completou.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008

Finazzi abre o jogo no Timão

01/04/2008 - 12h51m

Finazzi abre o jogo no Timão

Atacante fala sobre afastamento, divergências e volta por cima
Carolina Elustondo Do GLOBOESPORTE.COM, em São Paulo

Nelson Coelho
Diário de S.Paulo
Finazzi no treino do Corinthians

Finazzi resolveu colocar sua situação no Corinthians em pratos limpos nesta terça-feira. O jogador, que foi afastado pelo técnico Mano Menezes no início do Paulistão, tratou de uma tendinite no joelho neste período e depois sofreu uma lesão. Ele admite a frustração por não ser mais o titular, desafia quem fala que ele perde muitos gols, busca volta por cima e explica alguns episódios confusos, como o lugar no ônibus de viagem e o uso obrigatório da camisa do clube em eventos. Confira a entrevista do atacante do Timão.

Afastamento do elenco principal e tratamento

"Quando saí do time, inicialmente, foi por opção do treinador, e isso é normal. Aproveitou-se o fato de eu estar fora para tentar curar uma dorzinha no joelho que me atrapalhava em alguns treinos, sempre dois dias após cada partida. Foi aplicado um lubrificante na cartilagem que melhorou, mas acho que curar é dificil. Depois tive uma lesão muscular na panturrilha e fiquei mais dias afastado. Trabalhei a parte física e voltei. Fiquei chateado por ficar fora. Estou bem e só preciso adqüirir ritmo de jogo".

Relacionamento com diretoria, comissão e atletas

"Da minha parte é bom, sinto que o Mário (Gobbi, vice de futebol) e o presidente (Andrés Sanches) gostam de mim. Todos me tratam bem. Com os jogadores é ótimo. Tenho contrato até dezembro e enquanto o Mano me quiser vou jogar. E no clube fico enquanto o presidente quiser. Não fico onde não sou querido. Mas estou satisfeito e feliz aqui".

Uso obrigatório de camisa do Timão em eventos

"Quando foi colocado que os jogadroes teriam que aparecer com camisas do clube em eventos, muita gente chiou porque tem contrato e ganha para usar outras roupas. Eu gostaria de usar a marca que eu vinha usando por amizade, pois não ganho nada. Reclamei de uma camisa quando fui a um programa de TV sim, mas não por rejeitar a marca do clube, e sim porque que eu não queria ir com o modelo que me deram, tanto que usei outro".

Andar na frente do ônibus do Timão

"Disseram que eu reclamei que queria ir na frente do ônibus. É que eu passo mal em ônibus totalmente fechado, mas quando tem janela eu abro e tudo bem. Nos outros clubes sempre falaram pra eu ir na frente por isso. O próprio Mano disse no começo para eu ir na frente e no último jogo tive que ir atrás. Nunca reclamei do patrimônio do clube".

Desafio dos gols perdidos

"Fiquei chateado por ter perdido um gol contra o Marília. Alguns colocam que erro muito. Queria fazer um desafio. Os únicos jogos que perdi mais de duas chances foram contra o Internacional (Brasileiro de 2007, 1 a 1 e ele marcou o gol do Timão) e contra o Guarani (Paulista de 2008, 3 a 0, ele fez dois). Quero ver alguém achar outra partida que eu tenha desperdiçado mais de duas chances. No início deste ano, o Adriano (do São Paulo) e o Kléber Pereira (do Santos) foram criticados, mas seguiram nos times. Não tive essa chance e espero ter".

Volta por cima

"Não sei o motivo pelo qual voltei, mas estou feliz. Já passei muito por essa situação. Acho que dos jogadores de clubes grandes eu devo ter sido o que mais passei por isso. Comecei tarde, em 2004 passei por duas artroscopias e tive um 2005 excelente. Não sou tão veloz e driblador, sou mais de posicionamento e presença de área. Fiquei chateado porque passei pelo mesmo problema no ano passado com o Carpegiani, que achava que eu não acompanharia o ritmo dos demais. Dei a volta por cima e espero ser assim novamente".


Nota do Blog: Lendo a reportagem, logo se vê que o Finazzi se acha especial ou foi muito mimado. É um bom jogador, mas ele tem que entender que o Corinthians é muito maior que ele, e quem manda na equipe é o Mano. Nós desejamos muita sorte para ele e que marque gols decisivos neste ano.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Outra entrevista com mano. Esta mais abrangente

14/01/2008 - 08h20m

Mano projeta ‘feijão-com-arroz’ no início

Em conversa com o GLOBOESPORTE.COM, ele diz que a parte ofensiva será prejudicada
Marcel Rizzo Marcel Rizzo Do GLOBOESPORTE.COM, em Itu (SP) entre em contato

Nelson Coelho
Diário de S.Paulo
Com 12 contratações, Mano Menezes sabe que terá de entrosar o Timão

O técnico Mano Menezes manda um recado aos torcedores corintianos: não esperem goleadas neste início de temporada. Com 12 novos jogadores no elenco, sete deles vão começar o ano como titulares, como apontou o jogo-treino realizado contra a Internacional de Limeira no último final de semana. Ou seja, um time desentrosado. E por isso o treinador corintiano diz que a ação ofensiva será prejudicada. O Timão que inicia 2008 fará o feijão-com-arroz, aponta Mano.

O treinador conversou na manhã do domingo com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM no hotel em que o Corinthians faz a pré-temporada, na cidade de Itu, a 100 km da capital paulista. Gaúcho da pequena Pasto Sobrado, Mano chegou a São Paulo com a fama de todo treinador do Rio Grande do Sul: linha-dura. Mas no bate-papo, que durou cerca de 40 minutos, o técnico apontou ser adepto ao diálogo com seus jogadores. Só não tolera baladas, festinhas e excessos... Veja os principais trechos da entrevista:

GLOBOESPORTE.COM: O Corinthians contratou 12 jogadores. Normalmente, quando um clube reformula o elenco desta maneira tem dificuldades, como foi o caso do próprio Timão em 2004, em época pré-MSI. Você vai ter esse problema para encaixar o time?
MANO MENEZES:
Com certeza. A troca foi necessária, por causa da campanha ruim no ano passado (com o time rebaixado para a Série B do Brasileiro). Alguns jogadores já iniciariam o ano pressionados e isso seria ruim. Por isso tomei a decisão de escolher, neste primeiro momento, atletas que conheço melhor e sei o que podem render. Não temos a ilusão de que nas primeiras rodadas teremos um time montado. Se dermos sorte, não precisarmos mexer muito no time, seja por suspensão ou lesão, esse tempo fica mais curto.

Qual o principal problema desta troca em massa de jogadores dentro de campo?
Com um time desentrosado, a parte ofensiva fica prejudicada. O torcedor tem de entender que, nesses primeiros jogos, vamos ter dificuldade para atacar. Por isso também comecei trabalhando a marcação. Se estiver confiante atrás, pode apresentar melhora na posse de bola e no ataque. Nos dois testes que tivemos até agora (um coletivo e um jogo-treino, com sete gols marcados no total), nosso time teve aproveitamento ofensivo bom. Mas neste início precisamos fazer o feijão-com-arroz. Não posso complicar muito para os jogadores. É o simples.

Sua fama de linha-dura é verdadeira?
Todo técnico gaúcho tem essa fama, não tem jeito (risos). Gosto de profissionalismo. O jogador não pode pensar que pode fazer tudo, toda hora. Tem que ter disciplina. Mas sou adepto do diálogo, sempre. Quando o atleta tem um problema fora de campo, que venha conversar comigo. Tive um problema com o Anderson (hoje no Manchester United-ING) no Grêmio. Ele tem um caráter invejável. Mas eu era cobrado porque ele tinha rótulo de craque e de que podia fazer qualquer coisa. Tanto dentro como fora de campo. E eu o segurei um pouco. Foi bom para a carreira dele. Hoje ele joga no Manchester como volante e arrebenta. E o pessoal reclamava que eu pedia para ele marcar (risos).

"Com um time desentrosado, a parte ofensiva fica prejudicada. O torcedor tem de entender que, nesses primeiros jogos, vamos ter dificuldade para atacar"
Mano Menezes, técnico do Corinthians, sobre o início de 2008
Nelson Coelho
Diário de S.Paulo
Mesmo criticado, Fábio Ferreira ficou por um pedido de Mano, que aposta nele

No final do ano passado, dois jogadores do Corinthians, os zagueiros Zelão e Fábio Ferreira, foram acusados de abusarem das festas no prédio onde moravam. Zelão foi embora (vendido ao Saturn-RUS), mas o Fábio ficou. Qual foi o critério utilizado e você já conversou com o Fábio sobre o assunto?
O critério foi técnico. O Fábio é um zagueiro rápido, que tem velocidade. Acho que tem tudo para se tornar um dos grandes da posição. E sim, eu tive uma conversa particular com ele para mostrar que para se tornar esse grande precisa ter cuidado fora de campo.

Lulinha sempre foi considerado fenômeno nas categorias de base do Corinthians. Ele conta até 297 gols marcados até agora na carreira, mas no profissional passou em branco em 2007. Como você pretende proteger o garoto, que só tem 17 anos?
Já disse que etapas foram cortadas nos casos do Lulinha, do Everton Ribeiro e do Dentinho. Temos de tentar reverter isso. Como? Utilizando eles da maneira correta. Terão oportunidade de entrar no decorrer dos jogos, vão começar algumas outras partidas, mas não serão os responsáveis por salvar o Corinthians.

Você acha que a categoria de base é fundamental para um clube?
Com certeza. É a maneira mais fácil de você contar com jogadores medianos. Esses, que não vão decidir partidas, mas precisam estar no elenco, não precisam ser comprados. Têm de ser feitos na base. E quando você dá sorte e surge um diferenciado você faz dinheiro para manter o trabalho dos garotos. Mas aí tem um problema: muitas vezes o trabalho de técnico, empresário e até de jornalista se confundem. O cara quer treinar, mas quer ganhar dinheiro com comissão em cima de jogador e ainda comentar sobre o time. Se você tiver profissionais sérios, que não façam isso, o trabalho rende.

"O craque tem dificuldade para ser treinador. Porque ele não entende que o cara que ele treina não consegue fazer aquilo que ele fazia"
Mano Menezes, sobre jogadores que viram treinadores

Você participa de negociações?
Não.

Marcel Rizzo
GLOBOESPORTE.COM
Mano acha que garotos, como Lulinha e Dentinho, não podem queimar etapas

Não pergunto financeiramente, mas de ligar para um atleta, convidá-lo a vir para o seu time...
Aí sim. E ligo com uma única intenção: saber se ele quer jogar no meu time. Porque não adianta você contratar um atleta que não esteja interessado em atuar em sua equipe. Teve um caso de 2006 para 2007, no Grêmio. Fui para a Portugal visitar minha filha, que estuda lá, e conversar com o Luiz Felipe Scolari. Nesse meio tempo, aproveitei para falar com o Diego Souza, que poderia voltar. Mas sem tocar em dinheiro.Por falar no Felipão.

Por que você acredita que atletas que não se deram bem na carreira como jogador têm sucesso como treinador? Tem o seu caso (jogou no Guarani de Venâncio Aires), o Felipão, o Luxemburgo...
Na minha opinião, o craque tem realmente dificuldade para ser treinador. Sabe por quê? Porque ele não entende que o cara que ele treina não consegue fazer aquilo que ele faz com tanta facilidade. O cara que foi mediano tem uma visão melhor do que pode tirar de cada time. Por isso que atacantes têm mais dificuldade. Normalmente são mais habilidosos e durante a carreira pouco se importaram com a parte tática.

"Se vou conseguir tudo isso (que conseguiu no Grêmio) aqui (no Corinthians), só com o tempo... Não dá para prever o futuro"
Mano Menezes, que saiu do Sul consagrado pelos gremistas

Você tem amizade com outros treinadores considerados tops? Três deles, por sinal, vão te enfrentar no Campeonato Paulista (Muricy Ramalho, pelo São Paulo, Vanderlei Luxemburgo, pelo Palmeiras, e Emerson Leão, pelo Santos).
Já morei com o Muricy. Quer dizer, no mesmo flat, em Porto Alegre. Quando fui dirigir o Grêmio, ele estava saindo do Internacional. Como ele é amigo do Sidnei (Lobo, auxiliar de Mano), jantamos algumas vezes, conversamos. Tinha bastante contato com o Caio Júnior, que foi meu jogador. Depois teve aquele atrito, mas ainda sou amigo dele (risos). (NR: Antes de Palmeiras x Grêmio, pelo Brasileiro de 2007, chegou ao ouvido de Mano que Caio reclamou da violência gaúcha. Mano respondeu que não adiantava ter óculos modernos para ser um técnico moderno. Caio tem coleção de óculos. O Verdão venceu por 2 a 0).

Divulgação
Site Oficial do Cruzeiro
Na saída do Grêmio, Mano foi homenageado pela torcida tricolor

Conte um pouco de sua carreira como jogador (zagueiro) e treinador.
Como jogador foi curta, no Guarani de Venâncio, por perceber que não teria sucesso. Depois comecei a treinar times da base, no Guarani, no Juventude, fiz estágio com o Paulo Autuori no Cruzeiro, e ia mesclando com trabalhos no profissional do Guarani. Até chegar à base do Internacional. Depois fui convidado para dirigir o 15 de Novembro de Campo Bom (RS), onde despontei. Foi ali, chegando à semifinal da Copa do Brasil (2004), que meu trabalho começou a aparecer. E só não vencemos por culpa nossa. Problema de premiação, que fez os jogadores entrarem emburrados em campo. E um time emburrado não ganha jogo (foi eliminado pelo Santo André).

Para fechar: você foi ídolo no Grêmio. Na sua despedida, contra o próprio Corinthians, muitas faixas e cartazes em sua homenagem foram levados ao Olímpico. Como um técnico consegue ser ídolo e será que você consegue o mesmo no Corinthians?
No Grêmio pesou demais o jogo em Recife (a Batalha dos Aflitos, em 2005, quando com homens a menos e com pênalti contra, o Grêmio conseguiu vencer o Náutico e voltar para a Série A). Foi uma coisa maluca, que nunca mais vai acontecer. E teve os dois títulos gaúchos, contra um Internacional, que investia muito mais que nós. Agora, se vou conseguir tudo isso aqui, só com o tempo... Não dá para prever o futuro.

Entrevista com Mano

Folha de SP de hoje, 14 de janeiro de 2007

o estrategista

Mano lê para forjar equipe guerreira

Técnico do Corinthians se inspira em resistência de soldados espartanos e diz que time só estará pronto no final do Paulista

Fã de Ênio Andrade e Scolari, ele descarta "família" no clube e afirma estudar inglês para evitar gozação e que a Série B exige hoje "tudo certo"

Danilo Verpa/Folha Imagem
O treinador Mano Menezes, do Corinthians, exibe sua prancheta durante treinamento na concentração da equipe em Itu


EDUARDO ARRUDA
ENVIADO ESPECIAL A ITU

Nas páginas de um livro, o técnico Mano Menezes tenta deixar o Corinthians pronto para um de seus maiores desafios: a disputa da Série B do Brasileiro. Nos últimos dias, nos treinos do time em Itu, ele tem se concentrado na leitura de "Portões de Fogo", do escritor Steven Pressfield, que relata a heróica resistência de 300 soldados espartanos contra 200 mil persas por sete dias na mitológica batalha dos Termópilas (480 a.C.). "É inspirador."
E Mano já traçou sua estratégia para o time alvinegro. Nela, seus "soldados" não deverão estar prontos para o Paulista. Segundo ele, só no final do Estadual os corintianos vão apresentar o futebol para reconduzir o time à elite do Nacional.

FOLHA - Você é religioso?
MANO MENEZES
- Eu tenho fé.

FOLHA - Mas tem alguma religião?
MANO
- Sou católico, mas já fui mais praticante.

FOLHA - A fé será importante para superar a missão difícil deste ano?
MANO
- Todas as coisas que são bem grandes por este lado também são grandes oportunidades. E técnicos gostam de grandes oportunidades.

FOLHA - Os que já estavam aqui encontram-se abatidos?
MANO
- É abatimento natural. O time é rebaixado, e os atletas iniciam a temporada seguinte com alegria? Não tem jeito.

FOLHA - O que você fez para o Grêmio subir dá para ser aplicado aqui?
MANO
- Quando o Grêmio subiu, classificavam-se oito, dividiam em dois quadrangulares e, depois, tinha o último quadrangular. Hoje é ponto corrido. Então, você tem que estar bem desde o início. A primeira partida tem o mesmo valor da última. O Grêmio reformulou tudo durante o torneio. Hoje não dá para fazer isso. Tem que chegar à Série B com tudo definido.

FOLHA - Por isso as experiências vão até maio, no início da Série B?
MANO
- Experiência eu evito, porque pode parecer menosprezo ao Paulista. Mas as avaliações serão contínuas para refazermos o que não der certo.

FOLHA - O fato é que o time tem de estar pronto para a Série B, e não no Paulista ou na Copa do Brasil?
MANO
- Se as coisas caminharem como quero, quando estivermos no final do Paulista, a equipe tem que estar jogando o futebol que vai ter que jogar na Série B e na Copa do Brasil.

FOLHA - Crê em família "Mano"?
MANO
- Não. Isso de união no futebol só acontece quando se tem bom resultado. Não existe time unido em derrota.

FOLHA - Mas você indicou vários atletas com quem já trabalhou.
MANO
- O fato de ter atletas com quem já trabalhei é que precisamos abreviar a elaboração do time, o tempo de que preciso para conhecer jogadores. Trouxe alguns que sei o que podem render. Confio neles em termos de responsabilidade profissional. E, na hora da responsabilidade, sei que terão o comprometimento que quero.

FOLHA - Dizem que você segue os passos de Luiz Felipe Scolari. É isso?
MANO
- É coincidência. São Paulo é um centro que todo o profissional quer trabalhar. O Felipão veio para o Palmeiras numa circunstância diferente da que vim para o Corinthians. Cada um tem a sua trajetória, mas não que não tenha intenção de imitá-lo, porque tem uma trajetória de sucesso.

FOLHA - Qual é sua referência?
MANO
- Sempre gostei muito do "seu" Ênio Andrade. Foi o técnico gaúcho que primeiro viu coisas diferentes na armação de equipe. Tirou o máximo de equipes médias. Depois, veio Luiz Felipe Scolari. E, também por ter feito estágio com ele, gosto muito de Paulo Autuori.

FOLHA - Você tem estudado inglês porque quer trabalhar fora do país?
MANO
- Estou fazendo porque lá em casa as mulheres estavam me gozando por ser o único que não falava. E estavam falando inglês para eu não entender.

FOLHA - Dunga foi criticado por defender futebol de resultado em detrimento de espetáculo...
MANO
- Sempre que for possível aliar o espetáculo ao resultado, melhor. O torcedor merece, é a paixão do Brasil. Mas hoje está difícil de conseguir isso porque não temos time que dure cinco anos. Duram seis meses. Criticam técnicos por gritar à beira do campo. Mas isso é desespero para tentar fazer o time jogar aquilo que ainda não pode jogar por falta de tempo.

FOLHA - Você terá tempo aqui?
MANO
- No futebol, sempre há pressão por resultado, o que leva técnicos a jogar por resultados. É preciso diminuir a pressão sobre os profissionais, senão todos jogarão do mesmo jeito, que todos dizem ser feio.

FOLHA - Mas você foi exceção por ficar quase três anos no Grêmio?
MANO
- Mas é lógico que precisa ter resultado. O técnico não se sente bem em continuar se o resultado não vem, mesmo que não queiram que vá embora. Técnico vive de teoria, e ela é confirmada ou não em campo.

FOLHA - As pessoas dizem que você é culto. Tem lido muito?
MANO
- Gosto de aproveitar as concentrações para fazer isso. Estou lendo "Portões de Fogo". Fala de guerra. Sobre como eram preparados os guerreiros espartanos para as batalhas. Fala muito de superação, vida.

FOLHA - É inspirador para seu trabalho no Corinthians?
MANO
- Exato, é inspirador.

FOLHA - Já leu a "Arte da Guerra"?
MANO
- Já. Para algumas situações de estratégia, serve. Como encarar o inimigo.

FOLHA - Você gosta desse tipo de literatura, sobre guerras?
MANO
- Não pela luta, mas sim pelo sentido de enfrentamento.